quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

História do cavaleiro enluarado e da donzela do bem amar


A História do Cavaleiro Enluarado com A Donzela Das Terras de Bem Amar 
Carlos Pitta


Donzela:  
Cavaleiro Enluarado, de onde vens que não se chega? 
De que terras traz, partida, coração sujo de estrada? 
Vem clareia nos meus braços, que quero sonhar contigo. 
Me dizes qual o teu nome e serei de ti amada.
 
Cavaleiro:
Donzela, sou a lua nova, no sertão a clarear. 
Sou pó, poeira, estrada, sou nuvem de ver passar. 
Sou fogo de terra ardendo, sereno cor de cantar. 
Quando ando sou Tirana.
Quando amo sou Luar. 

Donzela:  
E que queres, cavaleiro, em terras de Bem Amar?

Cavaleiro:
Ando atrás de ti, donzela, a mando do meu sonhar.
 
Donzela:
Anda. Conta-me as caídas  
Que encontrou no caminhar.

Cavaleiro:  
São bem poucas pra quem ama.  
Não merece nem contar.

Donzela:  
Meu reino é bem guardado
Por caminhos de adivinhar.
Quero só, de ti, saber:
Como conseguiste entrar?

Cavaleiro:
Foi o vento do querer que me deu a montaria  
E que me trouxe a teu morar.

Donzela: 
Então venceste o meu encanto 
E, de ti, serei amada. 
Pois amor pra ser verdade  
Tem que ter muito lutar.

Cavaleiro:  
Que seja como a madrugada,
Que pra cada cavaleiro
Dá uma estrela de guiar.