A História do Cavaleiro Enluarado com A Donzela Das Terras de Bem Amar
Carlos Pitta
Donzela: Cavaleiro Enluarado, de onde vens que não se chega? De que terras traz, partida, coração sujo de estrada? Vem clareia nos meus braços, que quero sonhar contigo. Me dizes qual o teu nome e serei de ti amada. Cavaleiro: Donzela, sou a lua nova, no sertão a clarear. Sou pó, poeira, estrada, sou nuvem de ver passar. Sou fogo de terra ardendo, sereno cor de cantar. Quando ando sou Tirana. Quando amo sou Luar.
Donzela: E que queres, cavaleiro, em terras de Bem Amar?
Cavaleiro: Ando atrás de ti, donzela, a mando do meu sonhar. Donzela: Anda. Conta-me as caídas Que encontrou no caminhar.
Cavaleiro: São bem poucas pra quem ama. Não merece nem contar.
Donzela: Meu reino é bem guardado Por caminhos de adivinhar. Quero só, de ti, saber: Como conseguiste entrar?
Cavaleiro: Foi o vento do querer que me deu a montaria E que me trouxe a teu morar. Donzela: Então venceste o meu encanto E, de ti, serei amada. Pois amor pra ser verdade Tem que ter muito lutar. Cavaleiro: Que seja como a madrugada, Que pra cada cavaleiro Dá uma estrela de guiar.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Eu sou grato a Deus Pai todo Poderoso, por todas as bênçãos que infinitamente derrama em minha vida.
Eu sou grato a Deus Pai todo Poderoso, que me permitiu cometer todos os erros, mas que me deu discernimento para que crescesse com todos eles.
Eu sou grato a Deus Pai todo Poderoso, por ter mantido as mãos estendidas, as portas abertas, e as luzes acessas, em todos os instantes, mesmo quando andei nos caminhos mais tortuosos, mesmo quando achei que tinhas esquecido me mim.
Eu sou grato a Deus Pai todo Poderoso, pela grandeza do seu amor incondicional, por estar sempre pronto para nos perdoar e nos perdoar sempre sorrindo.
Eu grato a Deus Pai todo Poderoso, pelo seu tão puro afeto e carinho, que nos nutre em todos os momentos, e sempre nos mostra a direção.
Sou grato a Deus Pai todo Poderoso por ter me feito sua centelha, e por ser sua centelha, ter me dado em potencial, toda essa maravilhosa Luz!
Tenho lido tudo que está sendo dito sobre à vida do Professor Manoel Sarmento. Observo o depoimento da família, dos alunos, dos admiradores e de todos aqueles que de alguma forma beberam da fonte daquele homem, que sempre esteve à frente do nosso tempo.
Realmente uma alma como a dele, seria impossível de passar por esse planeta de forma despercebida, e nesse instante, tudo o que sentimos vontade, é de reverenciá-la, pois Sarmento conseguiu ser ÚNICO, e contagiar a todos que tiveram o previlégio de conhecê-lo.
Eu fui amigo dele, e para para mim ele era o Sarmenty, como eu chamava-o, e o Sarmenty com quem convivi nunca teve títulos, na verdade, pouco lembrava do seu extenso currículo ou das suas realizações intelectuais. O Sarmenty com quem convivi, era apenas o homem puro, espiritualista, sensível e aberto, que com grande esforço procurou viver dentro da sinceridade da sua própria essência. Nesse momento me pergunto, quantos de nós tivemos a coragem e a ousadia de sermos verdadeiramente nós mesmos??? Pois Sarmenty teve, e é por isso, mais do que qualquer outra coisa, que ele viverá ETERNAMENTE em nossos corações, nos ensinando a imensa importância de nos despirmos das máscaras e nos comprometermos com a nossa "guiança interior". Parabéns amigo !!!! Vc foi uma ESTRELA, e asssim como elas, o seu brilho continuará perene, dentro de nossos corações.
Alheio à regras, para os amigos, não havia horário para visitas. A qualquer hora do dia ou da noite, lá estava ele, sempre pronto para nos acarinhar. Sempre pronto para nos estender a mão e dividir conosco a sua profundidade, o que acabava por nos embriagar, de tal forma que fazia-o correr ao piano e como num desabafo, destilar as nossas emoções ao ritmo do seu dedilhar. Foram momentos Fantásticos, Ùnicos, Insubstituíveis... Que apenas o nosso Manoel podia nos proporcionar. Sarmenty, como vc, mais ninguém.
Havia uma composição dele em francês que começava assim : "Comme un monde de magie, veulent être à vos côtés", e essa era a a minha canção preferida, e nesse instante, aonde a saudade e a dor tomam o coração, faço minhas as suas palavras, que traduzidas dizem assim :
"como em um mundo magia, desejo estar ao seu lado"
Realmente amigo, queria que fosse possível recorrer a um mundo de magia, aonde pudesse mais uma vez estar contigo.
Vc partiu. Começa agora, em algum lugar, uma nova etapa. Mas aqui, dentro dos nossos corações, vc estará eternamente presente.
“na tv evahamjatu nasam, na tvam neme janadhipah, na caiva na bhavisyamah,sarve vaya atah param ” (Nunca houve tempo em que eu não existisse, nem jamais haverá tempo em que algum de nós deixe de existir em seu Ser real.) Bhagavad Gita
Que calor me toma alma,
Que ância me percorre todo o corpo e incendeia o meu coração.
Que me torna inflamável, e faz com que eu saia de mim.
O que sou eu afinal?
Quando tudo isso me possui, sinto como impossível encontrar-me dentro de mim mesmo.
Não me distingo dos meus sentimentos, e sou apenas desejo.
Desejo que me percorre, desejo que me arde, que faz com que minha alma lateje.
Que não realizá-lo, faz com que deseje terminar toda a minha existência nesse instante.
Não compreendo o que sinto, o que me permito conduzir-me.
O que carrego dentro de mim, é maior do que eu. É um outro EU, que me conduz, que me domina, mas que distancia-se do que realmente sou.
Finalizo-me e recomeço a todos os instantes, sem êxtase nem tristeza.
Concebo a minha consciência, mesmo que afaste-me dela a cada momento.
Tudo em nossas vidas tem começo, meio e fim. Sei, que é imensamente triste, concebermos que absolutamente TUDO que inicia-se, está fadado a um dia terminar. Acho que é isso que os sábios chamam de evolução, todas as coisas tem o seu tempo certo.
Infelizmente, conosco não poderia ser diferente. O que outrora nasceu e pareceu ser lindo, numa nova manhã, não passou de brisa, que nos tocou, acariciou nossa face, brincou com nossos cabelos, e simplesmente... foi embora...
Como dizia o poeta, e faço minhas as suas palavras: “sim... todo amor é sagrado”, penso que é exatamente dessa forma que todo sentimento deve ser tratado, como algo sagrado, que está além de nós, e que muita vezes não entendemos a magnitude de tamanho sentir, e por não concebermos, permitimos que ele vá embora.
O que importa é o que foi vivido, assim como o Vinicius de Moraes nos ensinou: “que não seja imortal, posto o que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”, independente do tempo que uma paixão dura em nossas vidas, o mágico são as marcas que ficarão por todo sempre em nossos corações.
Vc marcou o meu coração, e acredito que essas marcas perdurarão, contudo, é necessário saber o momento de abandonarmos o barco, antes que o mesmo naufrague. E assim, eu vou me preparando para sepultar um sonho, que um dia pensei que pudesse ser nosso, mas que hj percebo que foi unicamente meu.
Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a ue cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta entrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta sociedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?
Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.
Só humanitariamente é que se pode viver.
Só amando os homens, as ações, a banalidade dos trabalhos,
Só assim - ai de mim! -, só assim se pode viver.
Só assim, o noite, e eu nunca poderei ser assim!
Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.
Vem, ó noite, e apaga-me, vem e afoga-me em ti.
Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,
Mágoa externa na Terra, choro silencioso do Mundo.
Mãe suave e antiga das emoções sem gesto,
Irmã mais velha, virgem e triste, das idéias sem nexo,
Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,
A direção constantemente abandonada do nosso destino,
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida...
Não sei sentir, não sei ser humano, conviver
De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,
Unia razão para descansar, uma necessidade de me distrair,
Uma cousa vinda diretamente da natureza para mim.
Por isso sê para mim materna, ó noite tranqüila...
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,
Tu que não existes, que és só a ausência da luz,
Tu que não és uma coisa, rim lugar, uma essência, uma vida,
Penélope da teia, amanhã desfeita, da tua escuridão,
Circe irreal dos febris, dos angustiados sem causa,
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,
E sê frescor e alívio, o noite, sobre a minha fronte...
Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
Beijo na boca todas as prostitutas,
Beijo sobre os olhos todos os souteneurs,
A minha passividade jaz aos pés de todos os assassinos
E a minha capa à espanhola esconde a retirada a todos os ladrões.
Tudo é a razão de ser da minha vida.
Cometi todos os crimes,
Vivi dentro de todos os crimes
(Eu próprio fui, não um nem o outro no vicio,
Mas o próprio vício-pessoa praticado entre eles,
E dessas são as horas mais arco-de-triunfo da minha vida).
Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-rne,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.
Os braços de todos os atletas apertaram-me subitamente feminino,
E eu só de pensar nisso desmaiei entre músculos supostos.
Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros,
Acenaram no meu coração os lenços de todas as despedidas,
Todos os chamamentos obscenos de gesto e olhares
Batem-me em cheio em todo o corpo com sede nos centros sexuais.
Fui todos os ascetas, todos os postos-de-parte, todos os como que esquecidos,
E todos os pederastas - absolutamente todos (não faltou nenhum).
Rendez-vous a vermelho e negro no fundo-inferno da minha alma!
(Freddie, eu chamava-te Baby, porque tu eras louro, branco e eu amava-te,
Quantas imperatrizes por reinar e princesas destronadas tu foste para mim!)
Mary, com quem eu lia Burns em dias tristes como sentir-se viver,
Mary, mal tu sabes quantos casais honestos, quantas famílias felizes,
Viveram em ti os meus olhos e o meu braço cingido e a minha consciência incerta,
A sua vida pacata, as suas casas suburbanas com jardim,
Os seus half-holidays inesperados...
Mary, eu sou infeliz...
Freddie, eu sou infeliz...
Oh, vós todos, todos vós, casuais, demorados,
Quantas vezes tereis pensado em pensar em mim, sem que o fósseis,
Ah, quão pouco eu fui no que sois, quão pouco, quão pouco —
Sim, e o que tenho eu sido, o meu subjetivo universo,
Ó meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento,
Ó parte externa de mim perdida em labirintos de Deus!
Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,
Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim,
Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,
Atravessaram a rua, ao meu braço, todos os velhos e os doentes,
E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.
Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas ás emoções,
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensações,
Troquei olhares com todos os motivos de agir,
Estive mão em mão com todos os impulsos para partir,
Febre imensa das horas!
Angústia da forja das emoções!
Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si próprio pela plena liberalidade de espírito,
E amar as coisas como Deus.